FRAGRÂNCIA

Um dia, um doce anjo encantado
encontrou-me no jardim de onde vivia.
E  ao sonhar com meu doce amado
era sempre assim que eu o via.

Como alma gêmea, eu sempre ao seu lado
e quando viesse, eu sabia como seria.
De jeito nobre, cheio de amor e cuidado,
sempre a me procurar por onde ia.

E pelo jardim, todos os dias passava
a caminho do seu dia-a-dia.
Beijava-me as folhas que amava
e eu o beijava no perfume que ele sentia.
E onde sua boca pousava
ficava um rastro de sonho e poesia.

Alimento que seu amor me deixava
e sem o qual eu não existia.
E nas vezes em que, em seu louvor,
em lindo botão me fazia,
Seu riso alegre e de doce frescor
era minha fonte de vida e alegria.

Tinha luz muito intensa e tanto calor,
que se fazia o sol, no meu dia.
Iluminando o orvalho na gota de amor
que, docemente, seu lábio oferecia.
Mas não sei onde foi o amor do passado.
Ficou em qualquer lugar perdido.
Provavelmente em algum lugar encantado,
onde a vida acabou perdendo o sentido.

No mesmo jardim onde o amor desejado
e eu mesma havia florescido,
perdeu-se de amor, o anjo adorado
e mudou, de repente, o rumo sempre seguido.
E um amor dedicado de toda uma vida
ficou vagando solto no sentimento
entre meu coração e o da alma querida .

De mim, levou-me a boca e o alimento,
e dele o perfume que lhe dava vida.
Mas a história não perdeu seu momento
e nossa vida não estava então definida.
Não podia ser eterno tal sofrimento.

Quis o tempo, muito mais tarde,
que num outro sonho, eu o encontraria.
E o meu perfume de flor tão querida
do nobre fidalgo, a atenção chamaria.
E suspeito de tal familiaridade,
perguntou-me de onde eu seria.

Como se os caminhos ainda fossem
os mesmos que seguimos um dia.
Reconheceu-me no perfume de aurora
e amou-me de novo nas linhas que escrevia.
E eu, no meu doce amor que fora embora
reconheci o mesmo amor
que no passado eu vivia.

Não estava perdido o meu sonho de outrora
nem o dele de me encontrar um dia.
Separados entre o amargo ontem e o agora
havíamos resgatado nossa fantasia.
Foi sublime e predestinado
que o meu anjo voltasse prá mim.
E prá não deixar que o amor tão desejado
novamente encontrasse seu fim,
colocou-me ele, de volta entre as flores
daquele nosso mesmo Jardim.

E aquele amor de algum lugar do passado,
floresceu de novo, enfim!
Ele é meu jardineiro encantado.
Sou seu eterno e agradecido Jasmim.


Jéssie
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