DRÃO

Gilberto Gil

Drão, o amor da gente é como um grão, uma semente de ilusão

Tem que morrer prá germinar, plantar n'algum lugar

Ressuscitar no chão nossa semeadura

Quem poderá fazer aquele amor morrer, nossa caminhadura

Dura caminhada pela estrada escura

Drão, não pense na separação, não despedace um coração

O verdadeiro amor é vão, estende-se o infinito

Imenso monolito, nossa arquitetura

Quem poderá fazer aquele amor morrer, nossa caminhadura

Cama de tatame pela vida afora

Drão, os meninos são todos sãos, os pecados são todos meus

Deus sabe a minha confissão, não há o que perdoar

Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão

Quem poderá fazer aquele amor morrer se o amor é como um grão

Morre, nasce trigo, vive e morre pão

 

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