GENTE   HUMILDE

Vinícius de Moraes

Tem certos dias

Em que eu penso em minha gente

E sinto assim

Todo o meu peito se apertar

Porque parece, que acontece

De repente

Feito um desejo de eu viver

Sem me notar

Igual a como quando eu passo

No subúrbio

Eu muito bem, vindo de trem

De algum lugar

E aí me dá uma inveja

Dessa gente

Que vai em frente

Sem nem ter com quem contar

São casas simples

Com cadeiras na calçada

E na fachada, escrito em cima

Que é um lar

Pela varanda, flores tristes

E baldias

Como a alegria, que não tem

Onde encostar

E aí me dá, uma tristeza

No meu peito

Feito um despeito, de eu não Ter

Como lutar

E eu que não creio

Peço a Deus por minha gente

É gente humilde

Que vontade de chorar.

 

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